18/09/2023
Ontem foi o festival da primavera promovido anualmente pela prefeitura de Salvador há alguns anos. Este ano o show principal foi de Pitty e eu, mesmo extremamente cansada, não pude deixar de ir.
Estar lá me trouxe muitas memórias, passando pela ninha adolescência, meus 13 anos (quando eu não dizia que tinha 13 e sim "quase 14"), quando fui apresentada às músicas de Pitty e me apaixonei. Fui invadida pelas lembranças de estar numa escola nova, frequentada por ricos e brancos, levados por seus pais em seus carros importados, andando com seus tênis de marca pelos corredores e fazendo de tudo para que eu sentisse que meu lugar não era ali. Lembrei de quantas vezes peguei ônibus lotado, corri pra não perder o ônibus, caí, perdi o dinheiro da passagem, quantos perrengues eu passei pra ir estudar tão longe e me sentindo tão deslocada. De como eu fingia, às vezes até para mim mesma, que não me ofendia com os insultos. De como aprendi a fazer piada de mim antes que eles fizessem, para parecer que eu não ligava e pra que o assédio perdesse a graça.
Em dado momento me passou pela mente o discurso da professora de matemática, esculachando o meu colega que sentia muito superior a mim por ter dinheiro e ser magro, mostrando que isso não significava nada se eu sabia ser um ser humano decente e ele não e falando sobre o quanto minhas notas eram superiores às dele.
Enquanto Pitty cantava o que por anos foi o meu hino de sobrevivência, não consegui me conter e as lágrimas rolaram soltas "o importante é ser você, mesmo que seja estranho, seja você, mesmo que seja bizarro". Foi emocionante estar ali e sentir aquela vibração. Eu amo shows, gostaria de ter ido a mais shows na minha vida.
Lembrei também do primeiro festival da primavera ao qual fui, assistir aos Paralamas do Sucesso. Foi muito significativo para mim ir ver aquele show no momento da minha vida em que eu estava, quando Rafael tinha terminado comigo para namorar a minha irmã. Ontem, 9 anos depois do primeiro show, lá estávamos nós, casados há 6. E com Gabriela conosco.
Toda aquela melancolia da adolescência ficou para trás, me senti forte, me senti renovada. Mais que tudo, me senti muito mais madura, preparada para combater tantas adversidades que a vida adulta traz todos os dias. Sinto como se ontem tivesse fechado um ciclo. E a sensação foi libertadora.

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